Finite Incantatem

17 dez

A foto antiga aonde você aparece ainda um menino, com seu braço no meu ombro – aquela onde exibo um sorriso que retrata uma boa dose de constrangimento – me encara todo dia enquanto eu tento continuar. Aquele livro de soluções, o vermelho, onde você marcou a página com bilhete cheio de desenhos bobos e corações tortos. Os filmes de terror que vejo com outras pessoas, os lugares onde já estivemos e os cortes de cabelo iguais ao seu. São essas, entre milhões de outras, as coisas que não me ajudam a te esquecer.

E embora eu me esforce, os números de detalhes continuam se espalhando, como em uma reação em cadeia. Todas essas coisas estúpidas fazem com que eu pense está tudo bem, que a semana vai passar e vamos nos ver como antigamente, vamos conversar, você vai me encarar com aquele olhar de afeição. Até que lembro que não vivemos em mundo perfeito.

Deixamos do ser nós, e mesmo com essa sensação de “ainda te amo”, nada me dá mais certeza do fim, do que te encontrar. E essa é, com certeza, a ironia de tudo isso: você é a única coisa que me ajuda a te esquecer. Fico assustada por não encontrar em você se quer uma sombra daquilo que vejo em minhas memórias.

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